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Dussek na Nossa.

Já foi o tempo em que para assistir a um bom espetáculo de música era necessário se deslocar para Niterói ou para o Rio de Janeiro. Isso ficou provado no último dia 14 de março, quando o cantor, compositor, pianista, ator, diretor e apresentador Eduardo Dussek encerrou a noite com um show que ficará na lembrança do público de Maricá por muito tempo ainda.
O charmoso Espaço Cultural Núbia Lafayette, no Rotary Clube de Maricá - que inaugurava o seu ar condicionado central - se consolida a cada dia como um local aconchegante, confortável e próprio para um bom espetáculo musical, tendo acomodado mais de 300 pessoas sem problemas, além de possuir um som de primeira qualidade.
O show, produzido pela SOL PRODUÇÕES, coordenado pela PR PRODUÇÕES numa realização do Rotary Clube de Maricá, teve início às 20:30 horas com a apresentação da BANDA GÊNERO, de Maricá, que brindou o público com canções do Pop Rock Nacional, tais como Dois Rios, da banda mineira, Skank, Primeiros Erros, do cantor Kiko Zambianchi, além de algumas músicas próprias de clara influência da banda Legião Urbana.
Pontualmente, ás 22:00 horas, teve início o show DUSSEK NA SUA, com o cantor acompanhado do versátil trio COPACABANDA. Dussek abriu com a música Alô Alô Brasil, e seguiu com os sucessos Cantando no Banheiro e o Rock (transformado em Bossa) da Cachorra. Entre as músicas as tiradas hilárias, politizadas e atuais fizeram ecoar gargalhadas pelo salão.
Dussek provou mais uma vez ser um autêntico showman, misturando seu característico humor com sucessos como Luz de Velas e Olhos Negros e hits de outros cantores como Como Uma Onda (Lulu Santos) e Mania de Você (Rita Lee).
Quando chegou a hora do Bis, Dussek nem saiu de cena. Emendou a clássica música Doméstica com uma citação a Barrados no Baile e fechou com Alô Alô Brasil um show que beirou a perfeição.

Durante a apresentação da banda GÊNERO, o cantor Eduardo Dussek, generosamente, recebeu a mim e ao Jornalista Pery Salgado, dos jornais CulturarTEEN e Barão de Inohan para uma entrevista exclusiva, que por estarmos, os três tão a vontade, eu prefiro chamar de bate papo.

Claudio Junior - Você esteve em todas as finais desde que o Festival Nacional de Marchinhas Carnavalescas foi criado. Este ano ficou com o 3º lugar com a música Todo Mundo Nu. Qual a fórmula para se fazer uma boa Marchinha de Carnaval?
Pery Salgado - Eu não entendi! Você foi o campeão do juri, não é ? Houve uma votação na internet que ficou valendo e nesta você ficou em terceiro... O juri não é soberano?
R: Não sei explicar... Como diz o Caetano, o juri é muito simpático, mas nunca é muito competente, né ? Quanto as marchinhas existe uma fórmula sim! Têm várias fórmulas. Basicamente na marchinha de carnaval você tem pensar no folião. E o folião quer duas coisas: zoar e paquerar. Quer ganhar alguém e quer zoar com a cara de quem lhe encheu o saco o ano todo. Então você faz a marchinha por um lado, por outro, ou faz pelos dois. Eu tento, às vezes, partir para os dois lados. Você tem que brincar com alguma coisa, pode ser uma sátira política ou da sociedade.

Claudio Junior - Aliás, a Marchinha é um gênero com uma ligação muito forte com você, já que a sua primeira composição foi a marchinha de carnaval A Baianinha, quando tinha apenas oito anos. 
R: A Baianinha foi feita para a Carmem Miranda. Eu fui no Museu da Imagem e do Som e nem pensava em marchinha. Eu conhecia marchinha de carnaval dos bailes infantis, mas eu achava que aquilo era igual a Atirei O Pau No Gato, de domínio público, que as pessoas cantavam quando brincavam de roda. Aí é que minha mãe falou: Não! Essa mulher foi famosa à beça. Eu pensava que a Carmem Miranda era amiga do Pato Donald, do Mickey (risos). Uma personagem do Walt Disney. Eu gostava de Beatles, de Rolling Stones, de Bossa Nova, não sabia nada de marchinha. Mas cheguei em casa e fiz uma marchinha para ela.  

Claudio Junior - Como a música entrou tão cedo na sua vida?
R: Eu já tocava. A minha família tinha arquitetos, artistas plásticos, mas todo mundo tocava algum instrumento. Até hoje eles tocam instrumentos. Mas apenas eu enveredei pelo lado profissional, eles não.

Pery Salgado - Você é natural da onde?
R: Copacabana.

Pery Salgado - E televisão, parou?
R: Não... Volta e meia pinta. Mas eles chamam mais para participações. A última foi do Sítio do Pica-Pau-Amarelo, onde eu fiz 12 capítulos, mais ou menos. Mas eu não tenho tempo de fazer televisão. Eu até gosto de fazer televisão. Gosto muito, inclusive. Mas para parar e fazer televisão tem que ter um excelente salário, né ? Porque você tem que ficar a mercê deles, e nem sempre eles querem bancar um excelente salário, então...

Claudio Junior - Em 2008 você colocou no ar seu segundo site na Internet e sua página no "myspace", além de reativar a sua pagina no ORKUT e organizar seus vídeos no YOUTUBE. Como você vê as novas tecnologias para a carreira de um músico atualmente?
R: Atualmente é o que há de mais avançado na música é a internet, eu acho. Não só pelo acesso repentino que esta mídia pode te proporcionar. Um acesso que pode acontecer do nada. Uma espécie de loteria, como foi o rádio, nos anos 1930, o cinema nos anos 1950, a televisão nos anos 1960 e 1970 e os festivais nos anos 1970 e 1980, quando eu apareci. Agora é internet, principalmente porque a juventude está ligada em internet. E eu acho que através da internet que a música vai continuar. Vai ser "salva". As pessoas vão acabar se acostumenado a comprar pacotes de música pela internet. Agora não, que está esta farra de pirataria. Mas a galera jovem está passando ao largo disso. Então você consegue vender a sua música na internet, porque tem gente que quer comprar em pacote melhor, não quer ficar só pirateando. Então eu me preocupo muito. O meu público está se renovando pela internet.

 

Pery Salgado - Você falou justamente dessa renovação, de trabalhar essa galera jovem. Porque se não fosse a internet essa galera jovem ficaria a margem do Eduardo Dussek que a gente acompanhou, conhece, curtiu e continua curtindo. Para a gente que trabalha com esta galerinha jovem, você acha que eles já estão começando a conhecer e a curtir o Eduardo Dussek?
R: Estão. Começando... Não posso dizer que seja já um grande percentual do meu público. Quando conhece, se amarra. E trás mais dez. Então a multiplicação está havendo com esse trabalho da internet e com o trabalho dos shows. Qual é o jovem que vai ao meu show? É o jovem que pegou o disco do pai, que passou para CD e fala: Caraca, esse cara é muito louco. O pai fala: esse cara está fazendo show ali. Aí ele vai com o pai, ou vai sozinho, ou vai com uma galera da faculdade. Ou então as criancinhas também, de 10 anos de idade. Tem um público também da terceira idade que começou a gostar a partir dos shows dos musicais Sassaricando e da Carmem Miranda. Agora os jovens estão começando a vir.

Pery Salgado - Você falou também de um outro público? Os pequenininhos?
R: Esses estão vindo pelas mães, pelos pais.

Pery Salgado - E estão ficando?
R: Estão ficando. Outro dia entrou um garotinho no meu camarim, parou no meio, olhou para mim e disse: Cara, queria te falar uma coisa. Sou fulano de tal e você é muito bom, muito bom! Gostei prá caramba. E saiu. Eu perguntei a idade dele e ele respondeu: 10!

Claudio Junior - Em 1980 você foi apresentado para o grande público no FESTIVAL MPB DA TV GLOBO com a bombástica interpretação de sua música NOSTRADAMUS. Você acha que o formato de festivais ainda daria certo atualmente como descobridor de novos talentos?
R: Se fizesse com honestidade e com modernidade daria certo. Mas quando não falta um, falta o outro. Falta modernidade. Qual o problema do Festival das Marchinhas? É muito antigo... Quando vem alguma coisa mais moderna, eles rechaçam. E eu vi alguns festivais por aí que não tinham muita honestidade, com gravadoras dando em cima, impondo nomes.  Então isso trava um pouco. Mas sempre é uma oportunidade de um cara novo aparecer. Se fizer assim: com modernidade, para abrir para galeras novas e honestidade. Mas não acredito que vão conseguir fazer.

Claudio Junior - Você já compôs para artistas As Frenéticas (Vesúvio), Ney Matogrosso (Seu tipo), Maria Alcina (Folia no Matagal), além de Zizi Possi, Maria Bethânia, Simone, Adriana Calcanhoto, Erasmo Carlos e Emílio Santiago. Como adequar a sua música a estes artistas de generos tão diferentes?
R: Eu tenho o meu estilo, que mistura humor com um romantismo exagerado. Alguns artistas se inserem neste estilo, ou mudam pequenos detalhes. Às vezes eu recebo uma encomenda de algum artista. Nesta caso eu tento pensar no estilo daquele artista ao fazer a música.

Claudio Junior - E como se deu a aproximação com o (ainda insipiente) pop/rock nacional, no LP Cantando no Banheiro!, que tinha a participação do grupo João Penca e Seus Miquinhos Amestrados, além da música Rock da Cachorra, de Leo Jaime?
R: Eu encontrei o Leo Jaime e ele me falou que estava trabalhando com os Miquinhos. Eu falei que já conhecia os Miquinhos. O Leo perguntopu então se eles não poderiam abrir um dos meus shows. Eu expliquei a ele que estava começando e que não tinha cartaz ainda para alguém abrir o meu show. Melhor seria se nós trabalhássemos juntos. Marcamos um encontro e mostrei algumas músicas minhas como Barrados no Baile, Cantando no Banheiro, os Miquinhos mostraram algumas músicas deles e o Leo Jaime mostrou o Rock da Cachorra. Curtimos no ato. Ensaiamos durante 2 meses e fizemos um show no Parque Lage que foi um sucesso estrondoso.

Claudio Junior - Você já havia se apresentado na cidade de Maricá? Quais as suas impressões (expectativas) em relação ao público da cidade?
R: Eu não sei... Eu conheço bastante a região, eu surfava em Saquarema e passava por estas estradas. Mas shows... Talvez na época das discotecas, em que a gente fazia shows em três, quatro casas por noite. E aqui na estrada existiam várias. Mas a expectativa para este show é a melhor possível. Sempre.

(Pery Salgado, Eduardo Dussek e Claudio Junior)



Escrito por Claudio Junior às 21h35
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