A biografia Vale Tudo - O Som e a Fúria de Tim Maia, lançada no começo deste ano, mostra episódios inusitados que marcaram a vida do músico Tim Maia, amigo pessoal de Nelson Motta.
Escrito por Claudio Junior às 16h31
[ ]
[ envie esta mensagem ]
No Direction Home.
Martin Scorcese mais uma vez mostrou ser um cineasta diferenciado. Seja pela sua incrível capacidade de transitar pelos gêneros cinematográficos, seja pela sua surpreendente aproximação com o rock, que vem se estreitando com o passar dos anos. Esta é a característica marcante da sua obra No Direction Home, biografia do músico Bob Dylan.
Para quem é fã do cinesta de filmes como Taxi Driver, Cabo do Medo, Gangues de Nova York ou O Aviador, estranhará um pouco, mais uma vez, a sua mudança de estilo. Já quem é fã de Bob Dylan irá se deliciar. Trata-se de um documentário tecnicamente corretíssimo. O trabalho de apuração é impecável e desvenda todos os meandros da formação pessoal e musical de Robert Allen Zimmerman.
Martin Scorcese costura muito bem entrevistas com músicos, produtores e amigos, com imagens de shows e concertos, excelentes, por sinal, para contar a via-crucis que Bob dylan teve que cumprir. Do novo messias da música folk, porta-voz da sua geração e gênio contestador consagrado no Festival de Newport até a sua cruxificação no mesmo festival, anos depois, sendo acusado de traidor das tradições, impuro e vendido. Estas eram as palavras usadas pelos fãs na saída dos shows em que Dylan tocava um setlist metade acústico, metade plugado, com acompanhamento da The Band, alías um nome apropriadíssimo.
Um trovador folk que ousou eletrificá-lo e pagou muito caro por isso. Mas apenas alguns são capazes de ousar. E o filme mostra que Bob Dylan foi capaz!
É bem verdade que o DVD, que é duplo e tem 208 minutos, em algumas passagens mostra-se arrastado, como algumas das canções do biografado. Mas Martin Scorcese, mais uma vez, mostra sua competência ao mesclar um irretocável processo de resgate, com direito a imagens recuperadas sensacionais, com trechos de apresentações antológicas de Dylan. O vídeo, na verdade, não percorre toda a trajetória do cantor. Porém, o cineasta consegue captar a alma de um dos mais célebres compositores norte-americano durante o período que vai de 1961 a 1966.
O período em questão foi fértil de conflitos raciais, políticos e ideológicos. A Guerra do Vietnã estava na pauta. E o filme não esquece de trazer este cenário para compor as imagens do filme. Imagens como da apresentação de Bob Dylan e Joan Baez em Washington, na Marcha do Milhão, em 1963, quando Martin Luther King fez o discurso que se tornaria célebre, não ficam de fora.
As imagens de apresentações de artistas, como Odetta, Johnny Cash, Woody Guthrie (uma das maiores influências do compositor), The Byrds e vários outros que marcaram Bob Dylan, fazem desse filme a biografia definitiva do cantor, compositor e escritor.

Escrito por Claudio Junior às 17h08
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ ver mensagens anteriores ]