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Entrevista Exclusiva Parte I
O baixista Liminha tem uma frase clássica: "Entrar para os Mutantes era um sonho, era como entrar para os Beatles". Antônio Pedro Fortuna integrou os Mutantes em sua fase mais progressiva. Lulu Santos é o maior lançador de hits do pop rock nacional. Antônio Pedro Fortuna é parceiro em muitas dessas canções. A Blitz foi a primeira banda de Rock brasileira e alcançar o estrelato. Antônio Pedro Fortuna era o baixista e um dos principais compositores.

O Ouça Bem teve o privilégio de conversar exclusivamente, durante duas horas, com Antônio Pedro Fortuna, esta importante figura do rock brasileiro, que agora surge com uma homenagem-celebração ao maior guitarrista de todos os tempos...
1- Gostaria de começar falando do Projeto Amigos Tocam Hendrix. Como começou a idéia de reunir os amigos Paulinho Guitarra, Zé Maurício e Paulinho Batera para tocar músicas de Jimi Hendrix? Quando eu fiz o meu estúdio em Itacoatiara, há uns três anos, eu chamei o Zé Maurício e o Paulinho Batera, que são meus amigos antigos e que tocaram nas minhas primeiras bandas aqui em Niterói, para a gente praticar e logo pintou a idéia da gente tocar umas músicas do Hendrix que é nosso ídolo daquela época, guitarrista maior, a gente venera mesmo, acha o cara o máximo. E a gente estava lá tocando, se reunia um final de semana sim, às vezes o outro também, às vezes o outro não. E não tinha a pretensão de se apresentar. Porque é muito desgastante ficar tocando em barzinho e fazendo agenda. Até que mais recentemente, um arquiteto amigo de longa data, esteve com o Paulinho Guitarra e falou: "Pô, estou sabendo que o Pedro está fazendo um lance do Hendrix com o Zé Maurício e o Paulinho lá em Itacoatiara, maneiro. Vocês podiam se reunir para relembrar aquela época". Porque eu tive com o Zé Maurício, com o Paulinho Guitarra e com o Paulinho Batera duas bandas, Luzes da Cidade Morta e Íris, que já tinham um trabalho autoral, isso há 30 anos atrás. Eles apareram lá no estúdio, acharam um barato e falaram: "vamos tocar". E o nosso amigo arquiteto conhece o dono do espaço Galeria do Poste, que é um lugar pequeno, mas eventualmente tem shows. E a gente vai fazer neste espaço com esta formação, eu, o Paulinho Guitarra, o outro Paulinho e o Zé Maurício...
2- O Zé Maurício é guitarrista também. O Zé é guitarrista antigo, tocou com Raul Seixas, com Eduardo Dussek, gravou o disco Tim Maia, de 1976, junto comigo e com o Paulinho Batera. Então... Vamos curtir isso aí, vai ser um barato. Eu sei que não vai ter erro, a alegria nas reuniões é sempre muito grande. Todos sempre afim de tocar, de trocar uma idéia. A gente até toca outras coisas, coisas minhas, coisas de outras bandas da época, mas nesta celebração a gente vai canalizar no lance do Hendrix, e por coincidência, está fazendo 36 anos que o negão partiu neste mês de setembro. Então vamos aproveitar para homenagear o cara que anda meio esquecido, mas é o pai de todos os guitarristas modernos.
3- Além do show do dia 30/09, na Galeria do Poste há planos de seguir com o projeto? Continuar vai continuar, porque é um lance "sagrado" a gente tocar toda sexta-feira à tarde, assim como tem aquela turma que joga bola todo final de semana. E a gente toca Hendrix e o repertório vai aumentando. Às vezes eu coloco uma coisas minha, a proximidade com o Paulinho Guitarra me agrada, ele é um "monstro", um cara maravilhoso, super querido aqui na cidade. Ele tem um selo, o Very Cool Music, que tem uns lançamentos, mas é mais baseado nos lançamentos dele. E eu tenho vontade... Ultimamente eu sinto a necessidade de fazer alguma coisa solo, mesmo que independente, deixar uns registros, algumas coisas aí. Mas é isso, um lance de amigo, dai veio o nome Amigos Tocam Hendrix. Quem sabe depois a gente possa pensar em fazer em alguns outros lugares. Eu atualmente não curto mais tanto a noite como eu curtia. E também... você vai tocar em alguns lugares e os caras vão ficar jogando bilhetinho para tocar música do Jota Quest... (risos) Entendeu? Não vai cair bem. A medida que a gente consiga pessoas interessadas em ouvir de novo isso ou um desenvolvimento disso, a gente vai tocar. E quem sabe a gente começa a fazer uma coisa maior, partindo disso aí, começando a fazer coisas próprias ou releituras das músicas das bandas dos anos 60 e 70.
4- Estamos falando do Hendrix. Ele foi uma influência para você ? Quais foram as suas influências no início da carreira? Eu comecei ouvindo Beatles e Rolling Stones. Comecei a tocar baixo por causa do Paul McCartney. Depois veio este lance do Hendrix e do Led Zeppelin, bandas com uma ênfase maior para o lado instrumental, com dobras de guitarras e baixo, bateria mais pesada. Depois veio aquela onda do som progressivo que tinha Pink Floyd, Yes e eu peguei uma carona legal na época progressiva dos Mutantes. Tinha o Chris Squire, baixista do Yes, um cara virtuosíssimo, fazia coisas maravilhosas no baixo. Entre a fase do Hendrix e a fase progressiva eu tive um lance de estudar música, eu estudei contrabaixo acústico, fui bolsista da Orquestra Sinfônica, estudava piano no Conservatório de Niterói e estudei teoria e harmonia no Instituo Villa-Lobos, que era super-revolucionária, com aulas de Vanguarda mesmo. E quando passou esse lance progressivo, eu me liguei mais no jazz e começaram aprecer estes baixistas como Stanley Clarke, Jaco Pastorius pessoal que colocou o baixo na linha de frente. Depois eu tive uma fase em Londres e comecei a ver todas as bandas que eu gostava, vi o Soft Machine, vi o King Krinson...
5- O Cream? Eu vi o West, Bruce & Lang. O Cream já tinha acabado. O Jack Bruce para mim está para o baixo assim como o Jimi Hendrix está para a guitarra. Desenvolvia muito bem os fraseados, improvisava junto com o Clapton. Vi o Traffic também. Fiquei lá uns 8 meses vendo estas coisas todas. E aquela coisa indiana que estava no auge, Ravi Shankar, cheguei ter uma Tambura Indiana, que é uma espécie do baixo da música indiana. Até usei umas frases de Tambura no disco Tudo foi feito pelo Sol dos Mutantes. A influência foi basicamente essa.
6- Fazendo um comparativo com a época em que você começou a sua carreira, hoje temos novas tecnologias muito mais acessíveis para disponibilizar e divulgar o trabalho. Está mais fácil a carreira de músico hoje em dia? Isso tudo facilita bastante, porque permite a pessoa lá no Sul, ou em outro país mesmo ouvir a sua música. Eu pretendo fazer este disco solo e colocar na Internet para as pessoas conhecerem.
Escrito por Claudio Junior às 09h25
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Entrevista Exclusiva - Parte II.

7- Niterói é, tradicionalmente, uma fonte inesgotável de excelentes músicos. Recentemente aconteceu na cidade o 3º Musifest, inclusive com a participação do Paulinho Guitarra. Como você vê a música instrumental? Eu acho que a composição, sem me desfazer do lado instrumental, que tem coisas incríveis, é uma coisa mais abrangente e consegue atingir mais as pessoas. Respeito muito a parte instrumental, mas o grande lance da música pop e do rock nacional é de fato as melodias e as letras mesmo. Tenho algumas músicas instrumentais. Se eu for fazer um disco solo, como eu pretendo, devo colocar alguma coisa instrumental. Mas é uma coisa assim mais... Cult, né ?
8- Eu sou fã da Blitz. E não posso deixar de fazer uma pergunta. Há alguma possibilidade da volta da VERDADEIRA Blitz? Com você no baixo, com o Ricardo Barreto na guitarra, com a Márcia Bulcão no vocal, com o Evandro, enfim com a formação que todos nós, os fãs, queremos ver novamente? O que aconteceu foi que a volta da Blitz em 1994 foi uma sucessão de problemas jurídicos criados, principalmente, pelo empresário do Evandro na época. Então foi problema com gravadora, problema com advogado... Ninguém saiu ganhando com isso, só perdeu. Eu acho que depois daquele disco ao vivo, a banda tinha que ter dado uma parada e ter pensado direito no que ia fazer, qual caminho iria tomar, sem pressa. O próprio disco Línguas foi super mal lançado. A gente tinha promessas de um produtor de fazer shows nos Estados Unidos, gravar um clip lá. O disco foi mutilado, ia ter 11 músicas e acabou lançado com 9 músicas e não foi feita praticamente nenhuma divulgação. E quando eu e o Ricardo saímos, a coisa piorou, pois fizeram um disco ruim, vendido em jornal, com o Evandro somente na capa, não tinha mais banda. Mais uma vez a gravação de Weekend, mais uma vez a gravação de A Dois Passos do Paraíso... Só pessoas do Rio de Janeiro tiveram acesso o resto do Brasil não conheceu. Mas, quem sabe... Um dia, a Blitz Original possa se reunir, em pé de igualdade como sempre foi e fazer uma coisa bacana.
9- É muito bonita e de grande reconhecimento a sua história com os Mutantes, com as gravações do disco Tudo foi feito pelo Sol e do compacto, Cavaleiros negros, até hoje muito conceituadas. Um pouco antes da reunião dos Mutantes com a Zélia Duncan, surgiram rumores que a formação que gravou o Tudo foi feito pelo Sol iria voltar a tocar junta. Tem alguma chance de vermos os Mutantes com essa formação novamente? Eu e Sérgio Dias somos muito amigos e depois de anos nos reencontramos pela internet. Trocamos email's e ele disse que estava com estúdio em São Paulo. E perguntou se a gente não queria ir para lá, para tocar e ver o que rolava. "Vamos procurar o pessoal". Eu disse que tinha contato com o Ruy Motta, o Tulio Mourão eu não via há muito tempo. Mas através do Ruy nós conseguimos contactar o Túlio. E todo mundo achou o maior barato. Estivemos lá em São Paulo e foi a maior alegria. A gente tocava músicas de 40 minutos sem parar!!! Sem ninguém errar. Ficamos lá uns dois ou três dias e cada um voltou para as suas casas pensando o que a gente poderia fazer para engrenar este lance. Chegamos a fazer uma segunda reunião, onde já tínhamos um produtor interessado, quando surgiu o convite do Barbican, que estava promovendo um evento sobre o Tropicalismo. E chamaram Os Mutantes tropicalistas, com o Arnaldo, o Sérgio e a Rita Lee. Isso foi uma coisa um pouco chata para gente, mas muito boa para eles. Eu achei interessante, porque o Arnaldo é uma pessoa super talentosa e teve problemas sérios de saúde, psicológicos e está com algumas seqüelas fortes. Encontra-se em um momento em que se ele não fizesse alguma coisa agora, não ia fazer mais... E o Sérgio sentiu esta responsabilidade. Porque não dar esta chance ao Arnaldo? Sentir ele feliz no palco de novo... Eu achei super legal. Vamos deixar rolar. Eles devem lançar e trabalhar o DVD que foi gravado em Londres. E mais para frente quem sabe a gente retoma esse momento tão gostoso que foi esta fase progressiva e que tem tanta gente que gosta.
10- E o compacto Cavaleiros negros? Tem composições suas? Tem duas composições minhas. Na verdade é um compacto com três músicas. Duas compostas por mim e pelo Sérgio e uma outra música do Tulio Mourão. O disco Tudo Foi Feito Pelo Sol vai ser relançado agora pela SOM LIVRE com um clip da música O Contrário de Nada É Nada, veiculado no Fantástico na época. E mais as três faixas deste compacto como bônus. Até vamos reunir esta formação na SOM LIVRE para acertar as coisas destas músicas, colocar os créditos, tudo bonitinho.
11- Bem... Amigos Tocam Hendrix tocam no dia 30/09, sábado, às 21:00 horas, na Galeria do Poste. Para a galera de Niterói principalmente, porque é uma coisa pequena, com amigos antigos, que eu tenho o maior prazer em tocar e confraternizar. Tocar, né? Que o mais legal é tocar e ficar feliz no palco.
Então não percam. Amigos Tocam Hendrix neste sábado, dia 30/09, às 21:00 horas na Galeria do Poste. Rua Cel. Tamarindo 10, Gragoatá, Niterói - RJ.
Escrito por Claudio Junior às 08h02
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Chico Buarque grava DVD ao vivo.
O cantor e compositor Chico Buarque fará uma apresentação extra no Tom Brasil, em São Paulo, no próximo dia 11 de outubro, para gravar o DVD do show da turnê do álbum Carioca. A venda de ingressos para o show começa nesta sexta-feira, dia 29 de setembro e os preços variam entre R$80 e R$160.
A turnê do álbum Carioca começou no final de agosto, no próprio Tom Brasil e está com ingressos esgotados até a metade de outubro. Chico Buarque leva o show, depois, para Portugal, para o interior paulista e para o Rio de Janeiro, já em janeiro do ano que vem.
Escrito por Claudio Junior às 09h54
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Zeca Baleiro ao vivo.
Apesar de já ter lançado vários DVDs com registros de shows, como Vô Imbolá, Líricas e Pet Shop Mundo Cão, Zeca Baleiro vai lançar seu primeiro CD ao vivo.
A gravação de seu último espetáculo, Baladas do Asfalto & Outros Blues, será a primeira a ser editada também em CD e no repertório estão músicas autorais e releituras de Retalhos de Cetim (sucesso de Benito Di Paula nos anos 70) e Palavras (música de Roberto Carlos e Erasmo Carlos).

(A capa de Baladas do Asfalto & Outros Blues - Ao Vivo)
Escrito por Claudio Junior às 09h45
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Paul McCartney lança álbum interrompido.
No ano de 1998, o cantor Paul McCartney sofreu um violento baque com a morte de sua primeira esposa, Linda. E se sentiu tão abalado após o óbito que interrompeu a gravação de um álbum de música clássica que, finalmente, chega ao mercado nesta segunda-feira, dia 25/09.
O disco tem o título em latim, Ecce cor meum, que em português significa veja em meu coração. O ex-Beatle atualmente também finaliza um novo álbum pop.
De acordo com revelações, publicadas neste domingo, ao jornal The Sunday Times, McCartney explica que com a morte da esposa, não pôde compor nem tocar durante quase dois anos e que, somente após o luto foi capaz de escrever sobre sua tristeza e completar a obra. Pouco a pouco, o cantor foi encontrando ânimo para começar a escrever novas letras.
Escrito por Claudio Junior às 08h35
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